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SAGRADA FAMÍLIA

1970 . Sylvio Lanna
Rio de Janeiro, 85 minutos, 16mm, p&b

 

Sylvio Lanna pertence à anticonvencional família udigrúdi mineira. Estréia no Festival JB-Mesbla de 67 com o curta Roteiro do gravador. Três anos depois, durante uma temporada lisérgica na casa do montador Geraldo Veloso, refaz a experiência do protagonista do filme e sai registrando sons num gravador. Esse material, captado com a ajuda de José Sette de Barros, vai ser a trilha de Sagrada família. “Sagrada família, hoje, já pode se prestar a exames arqueológicos de investigadores que se interessem pela pré-história da contracultura brasileira”, escreve Geraldo Veloso num texto inédito, encontrado nos arquivos da Cinemateca do MAM/RJ, onde o filme foi montado. O talento subversivo de Sylvio Lanna deslocou a atenção geral para o som do filme — que não tem nenhuma relação com a imagem. A banda sonora de Sagrada família transformou-se numa prova da audácia do diretor. Quanto às imagens, tudo começou em 1969, quando o diretor e Andrea Tonacci (que também fotografou o primeiro curta de Lanna) se associaram na Total Filmes para levar adiante os projetos do primeiro longa-metragem de ambos. No par ou ímpar decidiram que Lanna sairia na frente. A dupla de cineastas/produtores chegou a imprimir “títulos de participação” de “Ílegítima defesa” (que se chamava “Decúbito dorsal” e depois virou Sagrada família) para vender a parentes ricos, usineiros e políticos de Minas. O filme também recebeu recursos da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Tonacci tinha a câmera. Bang bang foi filmado na seqüência e muito se fala das semelhanças entre os dois filmes. Equipe, ator principal, mise-en-scène.

 

A ação do filme de Lanna é um pouco indecifrável para o espectador despreparado. Apresenta uma família burguesa que abandona o conforto da cidade e viaja para o interior. No meio do mato a “sagrada família” perde a noção de classe e experimenta a barbárie. No processo que vai das filmagens à finalização do filme, Sylvio Lanna também parece refazer, de certa maneira, o caminho maldito da família que aparece na tela. As gravações do cineasta podem ser ouvidas como o diário dessa “viagem”.

Remier Lion

Cia. produtora: Total Filmes

Produção executiva:Alberto Graça

Direção e roteiro: Sylvio Lanna

Fotografia: Thiago Veloso

Montagem: Geraldo Veloso, Sylvio Lanna, José Sette de Barros

Elenco: Paulo César Pereio, Nélson Vaz, Wanda Maria Franqueira, Terezinha Soares, Milton Gontijo, Maria Olívia