Portal Brasileiro de Cinema  Obra comentada

Obra comentada

Caco Coelho

 
 

A carreira de Nelson Rodrigues viajou pelos mais diversos campos da literatura. Nosso principal dramaturgo, o grande desbravador de caminhos, como quer Rachel de Queiroz, destaca-se, sobretudo, pela inovação que proporcionou à linguagem, contribuindo solidamente para a formação de uma literatura brasileira genuína.
Suas dezessete peças receberam, apenas na última década, mais de duzentas encenações, transitando desde a leitura tradicional até a mais anticonvencional, passando por todas as faculdades de teatro existentes no Brasil. Não há diretor ou ator neste país que não tenha, pelo menos uma vez, mergulhado no estudo de sua obra.

Pioneiro genial, Nelson é o poeta que levou o lirismo para os campos de futebol, desencadeando uma crônica apaixonada, parcial, cega. Contista fenomenal, sua coluna A vida como ela é… magnetizou milhares de leitores durante uma década, e segue popular até hoje. Seus nove romances, todos com exceção de O casamento publicados na forma de folhetim, sempre encontraram grande aceitação. Autor da primeira novela para TV no Brasil, A morta sem espelho (1963), sua obra segue sendo adaptada com grande audiência. Foi bastante influenciado pelo cinema, marcadamente pelo expressionismo e pelo spaghetti italiano, e seus textos contribuíram com pelo menos vinte filmes.

Incansável, Nelson Rodrigues deve ter escrito mais de 50 mil textos. Raro terá sido o escritor que tenha tido tal performance, com tanto sucesso. Dessa produção monumental, não restam inéditos, como lembra Carlos Heitor Cony. Boa parte do material, originalmente veiculado em jornal, já foi publicada em livro, e é esse material que aqui se dispõe. Não se pretende, contudo, esgotar o assunto, pois a cada momento surgem surpresas nessa área. Várias e diversas foram suas edições e, mesmo depois de vinte anos de sua morte, a sua obra continua a ser editada, tamanha a fartura.

Para que se possa visualizar como a obra foi constituída, ela foi organizada cronologicamente. Alicerçada na faina diária do jornal e observando a divisão estabelecida pelo professor Sábato Magaldi e introduzida por Pompeu de Souza, a obra de Nelson foi dividida em cinco fases, resultantes de uma identidade estética específica, com características próprias.